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Estudante lagoense é destaque em Olimpíada de Língua Portuguesa

Publicado em 25/10/2016 00:00:00


Pela primeira vez Lagoa Dourada tem um representante na etapa regional da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Leonardo Elânio Ferreira, aluno do 9º ano da Escola Angelina Medrado e autor da crônica “As inhá, os muleques e as janelas”, é um dos 125 semifinalistas na sua categoria para a etapa regional da olimpíada que acontece no próximo dia 02 de novembro em Porto Alegre (RS). O estudante e a professora Flávia Regina Santos Chaves participarão de oficinas de aperfeiçoamento e da cerimônia de premiação para receberem medalhas de mérito. 

A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é um concurso de produção de textos para alunos e professores de escolas públicas brasileiras. Durante cinco semanas, a professora Flávia Regina desenvolveu um projeto com base na sequência didática elaborada pela Equipe da Olimpíada e incrementada com leituras, projetos de campo, cultura digital para auxiliar no desenvolvimento das produções de texto. Segundo Flávia os alunos foram muito participativos, contribuindo com o bom desempenho: “Nossa cidade se inscreveu, como é de costume a cada dois anos, nas categorias Poemas, Memórias Literárias, Crônicas e Artigo de Opinião. Sendo esta a 5ª edição e visando ao estudo e aplicação de gênero crônica em turmas do 9º ano, houve um envolvimento muito gratificante da maior parte da classe discente, fato que favoreceu o desenvolvimento do projeto em comunhão com o compromisso que a equipe escolar depreende com seus propósitos de alcançar produtividade, aprendizagem real e, neste caso, reconhecimento nacional”.

Com o tema “O lugar onde vivo”, a crônica aprovada passou pelas etapas escolar, municipal e estadual e após concorrer com mais de 500 textos segue agora para etapa regional. Além da crônica, as outras categorias de texto também se destacaram pela qualidade. “É indiscutivelmente relevante deixar em evidência que nossa pequena e querida cidade de Lagoa Dourada vem se destacando cada vez mais como uma Escola de ensino público em que estudantes, professores, coordenadores, equipe escolar em geral não estão a passeio. Há uma seriedade imensa que leva situações gratificantes como esta para fora de nossos limites geográficos”, opina Flávia.

O estudante Leonardo e a professora Flávia contam agora com a torcida de todo o município para seguirem confiantes para a próxima etapa. Contudo, independente do resultado, já possuem o reconhecimento e orgulho pelo excelente trabalho realizado. “Estamos “apostando nossas fichas” numa boa colocação para a crônica de Leonardo, visto que, além de merecedor, tem grandiosas chances de chegar à final. Temos motivos suficientes para comemorar a rota de uma produção que ocupa uma posição tão “gigante” para nós”, finaliza Flávia.

Curioso para ler a crônica de Leonardo? Segue abaixo o texto: 

 

As inhá, os muleques e as janelas

Uma mulher debruçada em uma janela às 11 horas da manhã com um copinho de plástico azul na mão.

O que ela faz ali? Pede arroz a “inhá”!

- Ô  inhá, tudo bão? Cê acredita que meu arroz acabou justo na hora de fazer almoço?

A mulher responde:

- Ah, muié, tudo bem comingo. E com tu? Que falta de sorte, hein?!

A outra mulher volta a responder:

- Tudo bem! Pois é, meu marido ia ficar sem cúme, por isso vim aqui!

Ela estende o copinho e diz: 

- Me arruma um copo de arroz aí?! Amanhã te pago!

Uma troca de olhares súbitos ela responde:

-Empresto sim, preocupa não!

Atravessando a rua com o copo de arroz a mulher tropica mais não cai! Era uma pedra que ela chutou, mas que pedra era essa? Não pense que era uma pepita de ouro! Esta não temos mais. É a pedra que marcava o gol dos “moleques” que estavam jogando bola lá. Ô cidade boa, a mulher pede arroz, os “muleques” jogam bola, as meninas pulam corda no passeio e disputam entre eles o espaço do futebol e da queimada, só alegria essa cidade nos dá! Ah! Quase esqueci! Sabe aquela janela que a inhá estava debruçada? Foi-se embora, junto várias outras, entre elas algumas fazendas e casas antigas. Imagina o que tais janelas já “viram e ouviram”? O som das picaretas dos escravos batendo, viu Dom Pedro tomar chá na sala, viram a princesa Isabel abolir a escravidão, trocando o som das picaretas por frequentes discussões, começa a guerra do café com leite...

Enfim tudo foi embora, viraram modernas mesas que agora vão servir para comer arroz, o mesmo da inhá, só que agora, no Japão, cru e com algas enroladas. A outra janela também virou mesa, vai sentir os pratos batendo em cima de sua madeira lá na Europa.  Lagoa Dourada agora é forte em móveis demolição! Quem diria que tais coisas representassem algo tão grande, uma cidade humilde e simples, mas ao mesmo tempo rica!

Oh cidade dourada! Antes brilhava com os resplendor dos ouros e ainda continua a brilhar, não em forma de pedras valiosas, mas na preciosidade de dentro de nós, o aconchego, a hospitalidade, o afeto, a cultura que nos engrandece e no jeitinho carinhoso de inhá! É isso que faz Lagoa, é isso que é Lagoa, são coisas simples como um copinho de arroz, mas é isso que nos representa! Aqui é o meu ligar! 

E a “inhá”? Você se lembra dela?

- Ô muié, tá aqui o arroz que me emprestou. Promessa é dívida!

Coisa de cidadezinha mineira! 

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